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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Um dia acordamos e encontramos o encanto...

Então veria e sentia exactamente a cor e o sabor que terias antes de fechar os olhos.
Só desejava adormecer no calor da tua boca e abandonar-me no teu lado mental e emocional. Descobrir enquanto conversava contigo que eram conversas que se elevavam ao sabor do vento, que se espalhavam durante a noite pelos os cantos da cidade, esta, construída pelo o nosso olhar. Quando de repente neste belo encontro de corpos e palavras algo acontecia. Algo explodia! Era uma explosão de memórias. As memórias do primeiro encontro. Pois havia um antes e um depois de te encontrar...
A minha vida naquele instante não girava em torno de mais nada a não ser de nós.
Queria recolher todas as sensações do momento e muitas vezes até as guardava sem dar por isso.
Olhava-te com atenção e pormenor tentando entender os teus gestos e expressões.
Queria-te nu e livre. Desocupado de amor, aberto à paixão e ao prazer dos sentidos.
Só pensava em roubar-te um detalhe ou outro, como se te arrancasse uma risca de tinta negra que trazes cravada nas costas, ou até mesmo tu me pintasses o corpo com o teu olhar doce...
E tudo isso nos mudasse e transformasse num quarto de hotel ou até mesmo numa sala.
Penso agora naquela noite de sábado. E tenho a certeza de que pelo menos uma vez na vida tivemos a sorte do nosso lado em encontrarmos o que sempre procurámos. Nunca pensei que ter-te encontrado naquela noite quente seria a coisa mais importante que me aconteceu até aquele momento.
O amor é sempre como espero, intenso e cúmplice como quando me abraçaste pela primeira vez.
Um dia acordamos e encontramos o encanto...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Adeus guerreiro da liberdade.

Hoje e sempre.

"Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto." - Nelson Mandela

quarta-feira, 24 de julho de 2013

19º Super Bock Super Rock











" Amor é aquilo que deixamos ocupar em todos os nossos espaços num sentido exacto de sentido, para quando acreditarmos nele seja um acreditar intenso e permanente. "  

São estas as minhas palavras após algumas horas de descanso e reflexão que resumem estes três dias de música, poeira e rock. Ah! E é também importante reter que nunca um fino me soube tão bem depois de um banho de água fria (para não dizer gelada) como no Meco. 
E como diriam os meus caros amigos Ivo e João... " eu fazia disto vida..." pois eu também!



sexta-feira, 7 de junho de 2013

O nosso Optimus Primavera Sound 2013 sempre existiu.

enquanto ouço " Your hand in mine " dos Explosions in the sky
vejo entre nós as palavras e a viagem que existiu
dos passos dados sobre a relva 
da música que nos esperava tornando todo o percurso ardente 
de um espaço recheado de natureza própria
que tocou cada corpo perdido levando ao encontro
percebemos como o presente pode ser perfeito e o futuro para sempre
para nós não existiu começo nem fim
todas as ruas eram um encontro
em todos os palcos um novo caminho
embora acordados para uma nova sensação
sonhamos juntos sob um céu sempre limpo
estes voavam em direcção a vida 
tão cheios de sentido como gestos simples de alegria
um telescópio partido
uma baqueta "perdida"
um cigarro feito sentado
um abraço em sintonia
uma mão que apertava a outra sobre um ombro 
uma fotografia a preto e branco
uma palavra ou outra de carinho impregnado no carro
um sorriso deixado na mente de carinhosa atenção 
de cairmos exaustos, mas felizes.
e naqueles momentos pensava eu
(daqui já ninguém nos tira).
foram dias e noites muito felizes alheios a tudo 
menos as palavras e ás sensações que existiram nessa viagem.

mas de repente voltas e é tempo de acordar.
é quando sabemos que tudo isto realmente existiu.






quarta-feira, 8 de maio de 2013

duas mulheres e uma máquina - 2ª parte









" às vezes eu tenho vontade de ser menos intensa, só para poder entender como o resto do mundo aguenta essas coisas que me devoram permanentemente e de uma forma tão absurda..."

Clarice Lispector

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz Dia Internacional da Mulher.


Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Florbela Espanca


domingo, 30 de dezembro de 2012

os barcos carregados de secretas viagens.

e assim ficamos, deitados no jardim onde folhas secas nos serviram de transporte. 
ali esquecemos enquanto pensamos sem qualquer gesto que nos defina. sabíamos o que queríamos. apenas ficar a olhar mesmo sem ver. permanecemos os dois embriagados nessa louca viagem em que a eternidade era nossa deixando escapar por entre os dedos das nossas mãos a certeza a que chamo de sentimentos livres de quem tudo alcança sem alcançar. 
é quando me encosto a ti só para ter a certeza do que falo. 
esta é a melhor forma que tenho para não te procurar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

o fim do mundo é quando nós quisermos.









anoto estes dias como um abrigo.
eu bem sabia que estava a precisar.
já não me lembrava de ver tão pouco rico em tanto. virar todas essas esquinas molhadas do tempo e observar tanta roupa a secar no estendal da varanda. de vasos com flores que nunca vi em cada degrau de escada. pois é preciso tornar o caminho alegre nem que seja o de casa. já não me lembrava sequer de ouvir o silêncio que se esconde por detrás das ruas invadindo tudo sem pedir licença, como um suspiro trazendo descanso. 
respirar aqui vale a pena. vi cada canto. desde as casas de pedra frias ás árvores por ali espalhadas tão nítidas como uma paisagem real do que é passado, presente e futuro aos olhos de quem lá vive. são certamente como bens que ficam. pouco se ouve. mas ao mínimo gesto tudo se distingue e sente. a verdade é apreciar sempre como um regresso. saber compreender e sentir o cheiro agradável da lenha que queima. sentir o frio tornando todo o ambiente por si só quente. sentir a beleza que é a alquimia da aldeia. pressentir os passos cansados de quem por lá passa de hora em hora deixando sempre uma saudação no ar. é sinónimo de algo novo, eu vi. aqueles olhares dizem tudo. é tão pouco comum que se torna num facto inaudito. até os gatos que lá habitam mostram a sua curiosidade e aparecem como gotas de chuva escondidas entre as folhas das árvores. «aqui a curiosidade não matou o gato», antes pelo o contrário. faz com que com ela surja a vida.
terminei o livro que estava a ler num quarto que não era o meu. num quarto com paredes húmidas. com aroma a antigo perfeito. estava sem música e sem os meus gatos. deixe-me ficar com a manta que trouxe de casa pousada sobre as pernas  folheando o que era meu, deitada numa cama que vi-a pela primeira vez. é um costume meu mas agora também antigo no verdadeiro sentido da palavra. senti que momentos e rituais se encaixam em qualquer época como também em qualquer lugar do mundo. o panorama e as sensações são diferentes mas todo o resto é igual. 
anoto o regresso com uma certa melancolia mas não de tristeza. apenas de dias como um abrigo. 








segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

casa viva






ás vezes penso como seria esta cidade em que um terço das casas devolutas se pudessem manifestar abraçando a cultura e fazendo ressuscitar endereços fixos para todos.


 penso também na quantidade de segredos que residem atrás desses grandes muros e paredes.