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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"o corpo deste livro"

O abandonar-me em ti sem esperar se chove ou se faz vento, se o sol que está lá fora é de Verão ou de Outono. Se o Inverno já se despede deixando com ele um céu aberto carregado de um aroma doce e fresco. Se podemos, se não devemos, ou até se existe um motivo que nos faça justiça por breves momentos. O poder abandonar-me em ti seria unicamente alcançar desejos, construir e implantar sonhos… 
E deixar que esta utopia ganhe forma. 
Perceber o propósito deste agradável vontade, pois na vida tudo passa. 
Espero um dia vir a seduzir-te e cantar-te glórias ao ouvido, ora breve ora detido em sopro. 
O meu corpo é como um livro carregado de páginas em branco e em cada palavra uma viagem. Uma viagem longe de tudo o que é obrigações e compromissos, ausentes a tudo o que faça lembrar tempo e dinheiro. Estarei para sempre despedia, totalmente ausente nas horas de ir ou voltar desta bela e única descoberta. 
É ali onde tudo acontece e onde o mais importante fará a diferença em cada canto sobre cada momento essencial.
Esteja eu onde estiver ou faça o que fizer, um pedaço vivido e intenso será mais uma página preenchida no "corpo deste livro" onde tudo acontece todos os dias sem excepção. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A rapariga e a sua janela.

Como já nada lhe importava do que pudesse ou não vir acontecer, sentiu-se condenada a viver fora do tempo. Os dias passavam tornando as suas palavras transparentes como o vidro da janela onde agora se encostava. Era ali que sonhava enquanto espreitava o mundo lá fora. Gostava de encostar quase a boca ao vidro e embacia-lo com a respiração. Só os lábios respiravam. Era o único meio de lhe tapar a visão. Umas vezes com o indicador quente desenhava, era uma forma de acrescentar algo que gostava de poder observar. Outras vezes fantasiava com quem passava, ou com o que encontrava. A verdade é muito mais complexa como gostaria que fosse, pensava ela. E mesmo quando tudo existe nada existe realmente, está tudo tão longe da sua realidade como do seu próprio silêncio. Ali era o seu lugar secreto, era ali que deixava a sua mente vaguear à vontade enquanto acreditava no presente idealizando um futuro livremente. Apreciava a brancura dos aviões que atravessavam o céu deixando para trás um passado em movimento. As cores que ofereciam as flores do jardim em frente combinavam com o dia ardente que estava, tal como vento que se aventurava entre as folhas das árvores estimando e intensificando o poder da natureza. Também dali podia observar as transformações diárias desde a fresca e resplandecente aurora até a mais secreta e triste noite. A lua, essa, tinha sempre uma aparência diferente, embora só a visse de frente. E assim passava o seu tempo, os dias iam e vinham e ali acontecia de tudo. Não sabia viver fora do tempo, não sabia quando chegaria um final. Mas talvez ela não estivesse de facto à procura de nada definitivo.
A rua estava totalmente tranquila. Não passavam carros nem se viam pessoas.
Encostou novamente a boca ao vidro, embaciou-o, desenhou e beijo-o.

domingo, 15 de setembro de 2013

"candeeiros que baloiçam com o vento e laranjas que caem com o tempo."

                                                                       ontem 



O JP Simões é o Eduardo Lourenço da música popular portuguesa. Cada disco seu que se publica é uma manifestação nacional de inteligência, mesmo que a nação possa andar distraída ou ressentida, aborrecida ou esganada (...). Este disco é terapia para o português cinzentismo, para a merklice aguda, para a gula capitalista, para o desperdício da paixão. Desmistificando decadências e confessando vícios e afectos, Roma é um certo folclore pejado de alegrias, contagiante, impossível de ser parado. É o Eduardo Lourenço a fumar a relva e a curtir muito bem curtida uma bela guitarra". v.h.m

domingo, 4 de agosto de 2013

mimos*


" The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars. "

Jack Kerouac

quinta-feira, 16 de maio de 2013

um palmo.

estou a um palmo de distância do teu silêncio. 
com o olhar arrisco nas palavras que te quero dizer.
mas o meu maior desejo era poder contar-te o que tanto deixei por escrever.
e só estou a um palmo de distância do teu silêncio. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

duas mulheres e uma máquina - 3ª parte



 


Obrigada*






no convívio entre sensações.

numa outra época em que tudo era um ciclo com voz de harmonia. 
nela aspira e absorve o que é bom de absorver. 
cada nome tem o seu valor e sentido de ser.
cada palavra era uma missão a cumprir. 
o sabor oferece ao gosto o doce merecido paladar. 
os lábios, esses habitam e vivem perdidos nos densos rostos. 
é como uma passagem entre o clássico e o universal.
como sensações que exigem momentos presentes.
são tantas as coisas raras na vida que se as desejarmos realmente temos que saber ir ao encontro delas sem nunca questionar o que deixamos ficar. 
quem sabe amanhã estas novas sensações não vão carecer do envelhecer de instantes passados.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

dreams today.

    Efterklang - Piramida
    @Hard club










soube ontem desta tradição que ocorre na noite de passagem para 1 de Maio.
se em alguma porta ou janela não for colocado o ramo de Maia diz-se que "entrará o diabo e chupará o sangue de quem ali morar".
e realmente ao chegar a casa reparei que na porta da minha vizinha também tinha.
ás tantas dormi com o diabo e nem sei.



domingo, 28 de abril de 2013

Pessoas. Um palco.



ouvir a cortina no escuro a desvanecer já de si traz arrepios. imaginem agora sentir a presença de Fernando Pessoa  num palco...é uma espécie de loucura. 
e só o facto de ter ido assistir a isto, já vale a pena ter nascido.

« Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
pergunto a mim próprio devagar
porque sequer atribuo eu
beleza às coisas. »

Alberto Caeiro