Desde muito cedo descobriu que algo dentro dela resplandecia.
Possuía um apetite fora do normal, tudo para ela era uma tentação.
Até mesmo nas pequenas coisas ela descobria o gosto e o prazer que a fazia querer "engolir o mundo." Pensava nisso a todo o instante e questionava-se como seria se o pudesse trincar, ingerir e absorver...
Sentiria o sabor amargo da injustiça no corpo?!
A crueldade, iria picar-lhe a língua como se de uma chama sem fim se tratasse?!
Já para não falar do ácido, pois certamente iria corroer-lhe a mente de tanto sofrimento humano.
E o salgado do mar, traria com ele algumas ondas de mudança...?
Saberia a boca dela o que era a sede da transformação...?
Deitou-se, fechou os olhos e deixou-se estar quieta.
Percebeu naquele momento que se realmente ainda desejava "engolir o mundo" iria ter uma grande indigestão causada por tanta tortura alimentar, resumindo o mal-estar universal.
Aborrecida e melancólica voltou a fechar os olhos, e não é que chegou a conclusão que lhe faltava um paladar. Era o doce!
O doce amor disse ela, o supremo de todos os paladares no mundo.
E quando o desejou e experimentou, sorriu.
Não percebendo que entretanto todos os outros já tinham sido devorados.
" Pensem bem antes de ingerirem seja o que for ".
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