" Acabávamos frequentemente a fazer amor. Sophie mostrava-se tão sequiosa disso quanto eu, e com o passar das semanas a casa começou a ficar erotizada, transformada num reino de possibilidades sexuais. O mundo dos demónios veio à superfície. Cada divisão da casa adquiriu a sua própria memória, cada lugar evocava um momento diferente, de tal maneira que mesmo no sossego da vida prática uma área especifica da carpete, digamos, a soleira de uma porta em particular, já não era estritamente uma coisa mas uma sensação, um eco da nossa vida erótica. Tínhamos mergulhado no paradoxo do desejo. A necessidade que tínhamos um do outro era inesgotável, e quando mais a saciávamos, mais parecia crescer. "
A trilogia de Nova Iorque
- Paul Auster
Sem comentários:
Enviar um comentário