dizem que sou louca por sentir demais. quando na realidade sentir é a maior loucura. não consigo obter nenhuma resposta. ainda. esquecer essas mãos é insuportável. aquele calor que delas fazia crescer desejo é indescritível. o aroma doce e meigo que habitam nelas. esse então, totalmente inatingível. pensando de forma intemporal, para mim nunca irão envelhecer. faz tempo que não as vejo. mas sei que não existe passado, presente ou futuro. permanecem incompletas. inacabadas. para mim produziam perfeição. conheço os seus segredos. o que delas nasce e ocorre. mais tarde originando uma verdade. a tua verdadeira identidade.
lamento nunca termos inventado algumas sombras chinesas e nas melhores formas rentabilizar o tempo livre. decerto preenchíamos toda aquela parede branca numa extravagancia louca. seriam testemunhas de tal desatino artístico...
não só seriam sombras chinesas realizadas com as mãos, como também reflexo de união entre dois corpos numa agonia e aflição de tanto necessitarem um do outro. sem preconceitos. num despertar de abraços sentidos e apertados. tive momentos em que parei para assistir através da minha mente como seria ser um espectador atento daquele espaço. como seria preencher toda aquela parede com pinturas nossas, das nossas sombras ao acordar.
e ainda hoje penso nisso...
Lindo...
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