segunda-feira, 18 de março de 2013

ainda suspiro.

era preciso senti-lo sem mãos, disperso numa mistura dos dias.
ouve-se falar dele a toda a hora, a todo o instante. umas vezes vem diluído entre os lábios repletos de expressão sentida. outras vezes como vítima ferida que percorre de corpo em corpo, sem caminho traçado ou destino definido. quando aparece não o compreendemos. traz com ele o silêncio. é um impulso de beleza. penetra no sangue cruzando com órgãos, alimenta glândulas, desgasta toda a estrutura. embora disperso organiza a alma. os dias vão atravessando as sombras das tardes e o luar das noites. ao fechar os olhos o corpo flutua sob marés e rios. atravessa o céu por inteiro onde nele paira uma "pintura" simples, sem mistérios. ali podemos perder a cabeça e desgraçarmo-nos em beijos. ali podemos enlouquecer sobre o cheiro ardente do amor. tudo isto serve de música violenta e pura numa língua corrente que nos arrasta aos lugares mais inacessíveis numa lavagem de sentimentos. daqui não quero sair. 
aqui as sensações saltam de corpo em corpo como quem tem fome de amor. é a boca a piorar e a estrutura a desgastar. mas no fundo, no fundo percebemos, observamos e sentimos lentamente a alma a organizar. 
é a força de uma vida. 
o emprego que dá trabalho e sustenta o coração.

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