foi quando resolvi "descascar" a alma.
gritei, gritei tanto enquanto segurava os teus cabelos sujos do meu próprio abandono.
a minha mente é o meu lar e dela arranco lembranças, deixo marcas de afeição.
dedico-me a marcá-la como quem marca um livro que tanto estima.
mergulho agora na infância. mas para quê?
vivi sem uma palavra e sem uma lembrança.
ouço as portas a bater com força.
ouço-te gritar por entre o corredor da solidão.
das paredes a tirania solta-se. sinto no estômago o frio.
e enquanto caminhas na minha direcção amarro-te na imaginação.
era capaz de te prender para nunca mais te largar.
saberias o que é viver na escuridão da noite.
sentirias medo até nos ossos.
esta seria uma passagem para quem não vê, mas só para quem sente.
já pensaste no que seria se pudéssemos devorar instantes?
ou talvez...engolir momentos?
mas que belo prazer seria.
poder beber do teu corpo...consumir-te os olhos...
entregar-me à tua boca com desejo de avidez.
ser o teu alimento de cobiça, permanecer nessa sensação duradoura.
sou livre de sentir o que quero, sou livre de oferecer o que tenho. toda eu sou livre.
a minha mente é o meu lar, dedico-me a marcá-la como quem marca um livro que tanto estima. de livre e espontânea vontade marquei-te para nunca mais te querer.
Dá-lhe...
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