Era uma manhã sem chuva, tão tranquila que se conseguia ouvir os passos de quem por lá passava. A correria era tanta que as próprias pegadas deixavam marcas no chão. Dava-lhe um certo prazer e satisfação poder alcançar todas aquelas pessoas, inventar-lhes nomes nunca antes ouvidos, criar-lhes vidas nunca antes vividas, atravessando séculos e padrões oferecendo-lhes a cada um uma história.
Embora ela soubesse que a maioria das histórias eram imaginárias não desistia de criar e realizar de forma espontânea as verdades mais importantes daquelas que descreviam noutros lados. Eram verdades de um dia que gostaríamos de vir a descobrir. Com isto, oferecia as suas próprias criações sonhadoras directamente a um mundo verdadeiro, de um modo tão real que podiam muito bem acabar por se tornar parte da realidade de cada um. E tudo aquilo naquele curto espaço de tempo em que alguém seguia uma determinada direcção, ora virava bruscamente no estrada, ora contornava uma esquina, ou simplesmente abraçava alguém que de repente se cruzava no caminho. Eram vidas com direcção mas talvez sem sentido, pensava ela. A verdade, é que nesse mesmo dia viu muitas coisas em que nunca reparara antes e de repente descobriu que o truque era andar devagar do que até então tinha andado para um entendimento completo de toda a situação.
Foi então quando alguém reparou na sua clareza de gesto e no seu caminhar vagaroso que se dirigiu a ela com um sorriso nos lábios nunca antes visto. E mesmo que ela fizesse de conta, quisesse fugir ou até tornar todo aquele momento propício a uma só luz favorável decidiu nada mais nada menos que seria assim o desfecho da sua história. Embora ela soubesse que a maioria das histórias eram imaginárias, algo acontecera na realidade derrubando tudo o que estava à sua frente naquela manhã tranquila e chuvosa.
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