terça-feira, 22 de novembro de 2011

fragmento 112

As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois «amo-te» ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até,porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma."

" É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar "



Bernardo Soares  in   Livro do desassossego 

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