terça-feira, 30 de outubro de 2012
Amplifest 12
Six Organs of Admittance
Bohren & Der club of Gore
Process of Guilt
Amenra
Jozef Van Wissem
Black Bombaim
Necro Deathmort
Oxbow Duo
Ufomammut
Godspeed You! Black Emperor
lembrar-me de que as coisas mais belas do mundo são também isto.
"segurar as mãos" de quem nos acompanha nestas viagens tornando o deslocamento perfeito.
sentir a tarde a desvanecer trazendo com ela a noite fria. e eis que a agitação começa.
com ela novos rostos vão surgindo felizes de quem sabe que irão ouvir a música ideal no local exacto à hora certa. o calor humano ascende e apodera-se de todo o lado, desde as escadas ao interior de cada sala, às paredes que se sentem húmidas de uma tal intensa vibração musical e humana. a união surge em todos os olhos fechados, em todas as cabeças que abanam como uma certeza infinita. todos os sorrisos trocados a cada pausa para mais uma outra música é quando trinco os lábios só de ouvir e pensar. relembro que os corpos dançam livremente entre cada melodia oferecida. ora agressiva, ora melódica das guitarras. as vozes de quem canta penetra na alma trazendo ritmo, vida, acelerando cada coração por ali disperso e perdido. começa então toda a entrega pessoal.
não é um entornar de uma cerveja ao esbarrar em alguém que nos faz parar, mas sim o facto de que nos podemos simplesmente tocar na diversidade de toda aquela sensação que só a música nos traz.
de palco em palco, de mochila às costas, de casacos e camisolas como abrigo. de repente esqueço-me do que é o frio e contemplo a noite deixando que esta se torne na mais quente aquecendo-me o coração com toda a energia por ali alastrada. vou para dentro passando novamente pelo o mesmo chão, sentindo o mesmo cheiro, olhando novamente para às paredes carregadas de arte, cruzando-me com os mesmos rostos de quem diz que ama a música só com o olhar... e entramos.
novamente nos "abraçam" com maravilhas. até num simples barulho ao abrir uma lata vinda do palco das mãos de quem está ali para tocar apenas um instrumento, faz toda a diferença. fazendo sentir que se trata do melhor "abre latas" que alguma vez se ouviu.
pouca era a iluminação, o que nos trouxe ainda mais grau de intensidade.
embora a clareza de visão não fosse muita pouco importava. pois eram mais os olhos fechados sentindo tudo. diria que não se vê mas que se ouve tanto.
após este sábado singular segue-se o domingo incomparável.
caminhamos na direcção da sé do Porto até à catedral. o sol aquecia as paredes oferecendo cor e calor. senti que os raios me iluminavam o caminho levando-me até à entrada. todo aquele silêncio invadiu a minha mente. fui caminhando até me surgir uma porta repleta de gente. aproximei-me, insisti até conseguir ver do que se tratava. havia gente sentada preenchendo todo aquele chão, outros estavam encostados à parede ou até mesmo no ombro de outro alguém. o amor surgia do centro. e ali estava ele, sentado só de guitarra na mão proporcionado a mais bela melodia. foi então que se deu a mais pura aliança de todas. o rasgar da alma foi precisamente ali e naquele momento em que senti as lágrimas a escorrerem-me pela face, sobre o testemunho de cristo e de todas aquelas almas tão rendidas quanto eu.
se pudesse teria ficado ali as restantes horas embrulhada na guitarra num cantinho da catedral. confesso que foi de tudo o maravilhoso. sem dúvida que mais me ficou cravado e gravado de todo o amplifest. agarrei o LP. agora, sempre que o ouço sinto tudo novamente só que desta vez também nos braços.
será que mais alguém sentiu o que eu senti? espero que sim.
se me falassem de perfeição eu diria que já a vivi na catedral da sé do porto.
contrariada mas ao mesmo tempo ansiosa por voltar, já tudo continuava lá para baixo no Hardclub.
ao chegar, toda aquela sensação de empatia por quem não conheço mas vejo pelo o segundo dia consecutivo, volta. reaparece o sorriso, cresce a vontade. o brilho surge. as portas abrem e fecham da mesma forma. as salas voltam a encher. o calor humano vence mais uma vez. gravo tudo na memória. sinto tudo de novo. choro outra vez.
quando dou por mim, olho para os lados e vejo o joão e a claúdia envolvidos numa suavidade doçura, cada um no seu espaço contemplando todo o final desta única e incrível viagem.
lembrar-me de que as coisas mais belas do mundo são também isto! :) <3
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
amanhã já sei.
vai ser sair a correr do trabalho e enfiar-me no Rivoli.
"quer faça chuva, quer faça sol. "
"quer faça chuva, quer faça sol. "
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
sábado
ainda nem acredito que os vou ter tão perto.
vai ser um "abraçar para nunca mais largar". * :)))
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
seria dois em um.
Leonard Freed
ela vive com o teu nome nos lábios.
traz na mente esse
olhar que a penetrou no âmago como uma febre intensa.
carrega na pele o cheiro a pele que lhe ofereceste.
guarda na memória todo o rasto que deixaste enquanto te
movias suavemente.
aos olhos dela foi como um descobrir do teu corpo em todo
aquele alinhamento musical.
mas apesar da distância, restaram pálidos reflexos da tua
sombra que lhe vagueiam na mente. só não conseguiu fixar o calor das tuas mãos...
pois na
verdade nunca lhe tocaste.
mas tudo foi fotografado.
o olhar dela exige que o bebas como quem tem sede de desejo, que os teus ombros se tornem num recanto para além de tudo.
para mais tarde poder adormecer no teu ventre entre palavras, sons e aromas...
e assim vão vagueando e penetrando entre os mais íntimos sentidos levando à perfeição a dois (em um). *
numa busca espiritual
em cada canto do mundo sente-se a pulsação Universal. *

segunda-feira, 22 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
vida e poesia
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.
Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinação estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do
amor.
Vinicius de Moraes
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
O artista tanto é aquele que cria como aquele que vê e sente.
Tantas vezes que já ouvi pessoas a lamentarem-se porque
gostavam de ser artistas.
na mente delas
é preciso nascer-se com um dom que futuramente se vai dilatando criando mais
tarde à “sua arte”. queixam-se porque não tem vocação para a música, não têm
voz para cantar ou até mesmo mãos que saibam dar vida a um instrumento. então, como
procura constante arriscam por exemplo a fotografia, o captar imagens originais
levando-as mais tarde ao seu tanto esperado talento e objectivo, o “eu como artista”. não desfrutam muitas das vezes da sensação única e bela que está por detrás de uma
lente. o segredo de quem sente intensamente a cada vez que pressiona o botão
guardando aquela imagem no seu coração para sempre. deixa automaticamente de
ser uma mera paisagem que passou por momentos apressados, tornando-se numa
imagem real e verdadeira que nos acompanha ao longo da vida, podendo assim ser recordada sempre de forma intemporal. mas que lástima pensam elas, que nem
jeito para isso têm quanto mais para escrever uma frase bonita, um simples
poema, ou até mesmo uma carta de amor a quem se ama. experimentam então a arte
do desenho, da pintura, da chamada emancipação com riscos, pinceladas, onde elas
próprias são livres de criar aquilo que quiserem. dar forma à alma que muitas
das vezes se encontra presa como uma víscera acorrentada nas entranhas da mente
e do corpo. aliás, como alguém já o frisou e muito bem “ a arte é o lugar da liberdade perfeita. “
E
agora eu pergunto, e a arte de ver e sentir? esqueceram-se dela? o artista
tanto é aquele que cria como aquele que vê. a verdadeira arte não está só no que se
materializa aos olhos de quem quer ver.
a chamada arte autêntica e genuína encontra-se
apenas e exclusivamente dentro de nós.
na maneira como olhamos o mundo onde
vivemos, o modo como tratamos as pessoas que nele respiram e habitam, na capacidade
de sentir tudo o que nos é oferecido pela própria natureza humana. desde a
música, ao cinema, ao teatro, à fotografia, à dança, à escultura, à pintura, à
literatura, etc…sem esquecer claro os próprios fenómenos da natureza. pois também são arte, a arte de ser vida.
mas, a mais
importante é a arte do amor.
e isto tudo para poder dizer que todos
nós somos artistas, só que cada um à sua maneira. podemos não fazer parte deste
núcleo de quem oferece arte “material” mas fazemos parte sim, daquele a quem
oferece arte emocional.
e que no meu ponto de vista é a única e a mais bela de
todas as artes.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
com esta nem eu contava.
foi só limpar o pó de quem se esqueceu.
oferecidos pelo o pai. afinal a herança é bruta!
ah claro, isto para não falar no seu mau feitio...*
domingo, 7 de outubro de 2012
lembrei-me que...
Na elegância do ser que és e a forma como tocas na
diversidade alheia. Das tuas mãos assisto ao avançar da viagem de tudo o que foi realizado
anteriormente. Da janela que dá para o horizonte observo as árvores que continuam a dar
frutos. As sementes germinam livremente deixando brotar as flores que deixaste. Noto
que o rio continua sereno como tu, esse não alterou. Embora agora caminhe sozinha e lentamente sinto que conseguiste
tornar toda esta estrada na mais simples de se pisar. Nunca te disse, mas que meigos são estes teus caminhos. Desejo tanto percorrer estes atalhos que me conduzem até à tua última respiração. Sentir o teu aroma doce a pairar no ar, rever a tua
sombra nas escadas deste prédio velho. Cheirar o nosso passado. Momentos estes que continuam a fazer parte
da nossa mesma natureza.
Vou querer permanecer aqui até que me encontres descalça a deslizar como um anexo incorporado de uma só imagem. E lembra-te de compreender o que vês quando leres nestas paredes os traços que te deixei como sinal de sabedoria e amor.
Vou querer permanecer aqui até que me encontres descalça a deslizar como um anexo incorporado de uma só imagem. E lembra-te de compreender o que vês quando leres nestas paredes os traços que te deixei como sinal de sabedoria e amor.
acabei de ler um poema. e que lindo.
Elegia V - Retrato dele
"Aqui está, toma o meu retrato; embora de ti me despeça
O teu no meu coração, onde habita a minha alma, habitará.
É como eu agora, mas se eu morrrer, será mais,
Quando formos ambos sombras, do que era antes.
Quando eu voltar gasto das intempéries, as mãos
Talvez rasgadas pelos remos rudes, ou curtidas dos raios do
Sol
A minha face e o peito de silício, e a cabeça semeada
Com os eczemas dos cuidados das tempestades súbitas,
O corpo num saco de ossos, quebrado por dentro,
E as manchas azuis da pólvora espalhadas na pele;
Se rivais loucos te acusarem de ter amado um homem
Tão imundo e rude como, ah! então poderei parecer,
Isto deverá mostrar o que eu era, e tu deverás dizer,
Será que as dores dele me atingem? Arruínam o meu valor?
Ou atingem-lhe a mente pensante, e ele agora
Amará menos o que tanto gostava de ver?
Aquilo que nele foi belo e delicado,
Era apenas o leite que no estado infantil do amor
O alimentava; o qual agora cresceu forte o bastante
Para se alimentar do que, a gostos desusados, parece rude."
John Donne (1572-1631)
Elegias Amorosas
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