Viajar não é realizar o imaginário que nos excita antes da
viagem mas sim exterminá-lo. O deslumbramento é do que se imagina e não do que
realizou esse imaginar. Nós pensamos numa terra longínqua e confusamente
admitimos que essa distância é sensível quando lá estivermos. Ora quando lá
estivermos há o real que desmistifica o imaginário, há o lá, como aqui, num
sítio limitado por um horizonte totalmente presente e não tocado da ausência
que havia na imaginação. Mesmo os seus elementos característicos que tiver, uma
vez realizados, perdem a magia na sua realização. Eis porque precisamos às
vezes de rever num mapa a sua localização para de algum modo lhe restaurarmos a
distãncia. Tudo se solidifica na concretização do real, tudo se desvanece aí da
sua figuração. A grande força do real é a do que está para lá dele, porque toda
a realidade é redutora.
Vergílio Ferreira
Faz boa viagem...
ResponderEliminarMerci nuno :)
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