quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

passar o tempo

by: Ana luz


hoje decidi ir até Matosinhos de tarde e aproveitar o pouco calor que o sol ainda nos transmite nestes dias de inverno. para meu espanto deparo-me com um aglomerado de homens, já com idade de quem pede descanso. a maioria de pé, outros sentados nos poucos bancos que haviam espalhados. agasalhados com os seus casacos mais quentes que guardam no armário durante o período que não são necessários . sim porque para eles um casaco é o suficiente. desde que os aqueça e dure. é com ele que sentem o que permanece e os conserva. sendo assim devem ser de boa qualidade. envolvidos de tal maneira uns nos outros, nas conversas altas que estavam a ter. ali a sensação de quem olha e os contempla é de que para eles só existe aquele espaço. aquela convivência única em que os abraça nos tantos momentos de solidão, desabrigo, desamparo, abandono... e sabe-se lá mais o quê. é um refugio. o deles. só deles. o refugio que escolheram e adoptaram tal como existem outros. um refugio que os desafia. pois ali jogam-se cartas como forma de dialogo. elogiando ou criticando o parceiro, adversário ou colega. pouco importa. é a maneira que encontram para se sentirem alguém e com alguém. 


posso dizer que nunca vi tantos como hoje.
apenas vi que existem.
com isso percebi que é essencial e considerável chamarem atenção da maneira que o fazem. sendo para eles fundamental aquele momento, aquele espaço singular e incomparável a qualquer outro.

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