O ritual é o mesmo de sempre, mantêm-se. Ela entra em casa e pousa a sua mochila castanha escura suavemente sobre a mesa, despe o casaco sentindo no corpo um silêncio nu. Para ela é o silêncio morto. Está sozinha entre paredes, como sempre esteve. Decide descalçar-se onde repara que as meias que tem calçadas estão todas húmidas. Húmidas mas não da chuva, nem de poças encontradas pelo caminho. É do tempo sim, mas de um tempo alterado e diferente do habitual. Nada meteorológico. Aquele é o tempo dela presente, o de todos os dias que passou a vaguear sem saber exactamente para onde ir ou como ir. Uma revolução era preciso, pensou ela. Um golpe infalível teria que ser dado. Mas uma saudade quase fatal apodera-se dela. E é essa mesmo que não a faz dar o passo seguinte mantendo-a num arrasto continuo de incerteza. Prossegue com os mesmos rituais, os mesmo hábitos, aqueles costumes a que chamamos rotinas quase como uma cerimónia só dela onde é capaz de tudo para celebrar e acariciar tudo o que a envolve sabendo o que é aquilo que sente mas não aquilo que lhe apetece. A verdade está muito longe do que ela verdadeiramente quer, e a distância por vezes tem um terminar doloroso. Entrega a culpa a um sentimento triste e penoso. Ao que parece essa ainda permanece. Só continua na espera de ser tratada da forma mais evidente, verdadeira e pura resolvendo de uma vez só tudo até ao ultimo suspiro. E de uma maneira ou de outra ela encontra sempre os seus meios para justificar os fins...
E com isto concluir que no centro deste núcleo tudo o que a envolve como a saudade não mata, mas mói.
Há textos que quando os leio exclamo que gostava de os ter escrito. Este é um deles... Bravo!!!! Identifiquei-me muito!!!!!
ResponderEliminareu identifico-me com ele a todo o instante. sem saber como, só o consegui escrever hoje. obrigada! ***
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